Cherry picking

 

Correndo o risco de ser censurado neste mundo cibernético de falsidade e intolerância, vou tentar responder com o máximo de elevação e respeito — coisa que a vasta maioria da fação que pensa de modo oposto a mim tem dificuldades em entender:

Vejo diariamente a malta a embandeirar em arco mediante os pretensos êxitos da tal terapia experimental genética (TEG), suportados por uns quantos números surripiados de um buraco obscuro qualquer. Alegam, de peito cheio, que a dita TEG tem baixado o número de internamentos e óbitos.

Sem me alongar em demasia, vou tentar apresentar sumariamente alguns pontos para reflexão:

1 — Antes de colocarem no espaço privado de cada um qualquer tipo de valores ou estatísticas devem fazer um esforço para verificar as fontes. Eu faço sempre isso, sacrificando o meu tempo pessoal. Recomendo o site https://ourworldindata.org/coronavirus/country/portugal. É um spinoff da Universidade de Oxford e merece a minha total confiança. É, por conseguinte, fidedigno. As formas sub-reptícias de apresentar os números em determinadas publicações — de forma a iludir os mais incautos — são denominadas de vieses ou de cherry picking.

2 — Este vírμs, como os demais vírμs respiratórios, é sazonal, não gosta de calor. Em função dessa particularidade, tenham a honestidade intelectual de comparar os óbitos não com os valores de 10 de fevereiro de 2021 — quando ocorreu uma vaga de frio e, por conseguinte, de mortes —, mas com os valores do respetivo período homólogo. Por exemplo, se desejarmos comparar o dia 10 de julho de 2021 com alguma data, devemos compará-lo com o dia 10 de julho de 2020. Não confundam alhos com bugalhos. Posto isto, verifica-se (através do site que referi) que em 10/07/2020 ocorreram 6 óbitos e em 10/07/2021 ocorreram 5 [figura 1]. Traduzindo isto para miúdos: não há nada de novo aqui… Tudo normal para esta altura do ano. Fico inclusive um pouco desapontado por deixarem escapar algo tão óbvio, deixando-se iludir tão facilmente.

3 — O site “ourworlindata” revela que houve mais casos reportados em 10 de julho de 2021 do que em 10 de julho de 2020 [figura 2]. Este ponto é muito sensível, pois se bem “trabalhado” pode dar a sensação errónea de que estamos perante muitos mais “casos” em 2021 do que em 2020 e de que a TEG já estaria a mostrar resultados, baixando o número de óbitos. O cerne da questão é que toda esta histeria esteve sempre alicerçada em torno da estapafúrdia quantidade de testes realizados. É o que podemos denominar de epidemia de testes ou testedemia. Traduzindo para miúdos: quantos mais testes realizados — mais “casos” detetados… Para o mesmo dia 10 de julho — perante o mesmo número de óbitos em 2020 e 2021 — o que é mandatório comparar é o número de testes que foram feitos [figura 3]. Então, sem grande novidade, constata-se que em 10/07/2021 foram realizados 5 (cinco) vezes mais testes do que em 10/07/2020. Com mais testes efetuados, há obviamente mais resultados positivos e, portanto, mais “casos”. Com um threshold (CT) de mais de 40 ciclos, é óbvio que há muito “lixo” que é amplificado. Há impreterivelmente lugar a falsos positivos — é um facto incontornável. Até mangas (fruta) e coca-cola podem eventualmente dar um resultado positivo. E mesmo que fosse detetado algum material genético do vírμs em questão nas amostras recolhidas no exsudado do nasofaríngeo profundo, isso não quer dizer que haja forçosamente doença ou até transmissibilidade associada. Significa que o corpo — e bem — pode já ter resolvido naturalmente a situação, por recurso à imunidade celular (linfócitos T, natural killer) ou até à imunidade humoral (linfócitos B, anticorpos). Este tipo de desonestidade é comparável a afirmar: “Estamos de parabéns porque 2020 foi o ano em que, estatisticamente, houve menos acidentes rodoviários". Tomara… ficámos meses fechados em casa, não saindo com o carro. É uma verdade de La Palisse. Relembro: mais testes —> mais “casos”.

4 — Em outubro deste ano, quando chegarmos à época das gripes — aí sim —, o cenário poderá voltar a ser caótico. Esta terapia genética, além das óbvias reações adversas comprovadíssimas (VITT, cardiopatias, pericardites, reações anafiláticas, paralisias de Bell, entre uma miríade de complicações iatrogénicas e idiossincráticas derivadas da produção artificialmente induzida de proteína spike e da sua ação sobre os recetores ACE2, sem referir sequer as reações adversas aos excipientes) [figura 4], pode — em teoria — enfraquecer o sistema imune e tornar a situação, no mínimo, paradoxal. Quer isto dizer que a TEG, de acordo com vários especialistas de renome e não apenas os escolhidos ad hoc pelos mass media, além de não contribuir para rigorosamente nada, pode ainda, eventualmente, complicar a resolução efetiva do problema. Isto mercê do enfraquecimento imunológico, da exacerbação mediada por anticorpos (ADE) e da possibilidade de reações imunes cruzadas. Em súmula, o organismo, se em contacto com outro vírμs, vamos supor rinovírμs, adenovírμs, norovírμs ou até influenza (gripe) — só para citar alguns —, ou até  com este coronavírμs, pode reagir de uma forma extemporânea e exacerbada e provocar uma tempestade de mediadores da inflamação, com os terríveis riscos associados. Como o ser humano é muito complexo e sui generis, esta reação irá ser sempre diferente de pessoa para pessoa, uma espécie de roleta russa. Estou certo, porém, de que os colaboracionistas encontrarão sempre uma forma de arranjar bodes expiatórios entre os resistentes à ditadura sanitária, mesmo que estes representem apenas 1% da população (o que é insignificante em termos de imunidade de grupo).

Têm-me dito que se te mandam conduzir, tu vais pela direita, obedecendo à regra e não indo em contramão, pela esquerda. Porém, é tudo uma questão de perspetiva pois se estiveres em Inglaterra e andares pelo lado esquerdo já não há problema nenhum, pois é o lado certo para conduzir. Ou seja, o que é certo para uns é errado para outros e vice-versa. Eu cá prefiro, em alternativa, aludir à questão popular que nos é repetida amiúde quando somos pequeninos: “Se te mandarem atirar da ponte, tu atiras-te?”. Pior do que isso… “atiras o teu filho”?

Eu não sou contra nem a favor. Eu abstenho-me é de fazer propaganda descabida e facciosa. Por princípio ético e moral respeito a decisão individual a não ser que seja vilipendiado. Compete-me, contudo, alertar, de uma forma abnegada, comedida e com muito sacrifício pessoal, as pessoas que estão em cima do muro em relação às suas dúvidas e angústias.

Acima de tudo recomendo a todos que se informem convenientemente, em fontes diversificadas e credíveis. Afinal, esta pode muito bem ser a decisão mais importante das vossas vidas. A minha já está tomada há muito tempo…

O que é verdade é que, por exemplo, em Inglaterra, 70% das hospitalizações são já de pessoas inoculadas [figura 5]. Podíamos referir em alternativa Malta, Uruguai, Chile, Seicheles, Países Baixos.

VOTL, 

Ricardo Novais

NOTA: As opiniões expressas refletem unicamente a opinião do autor. O leitor deve conduzir a sua própria pesquisa. Em caso de dúvidas, deve consultar o seu profissional de saúde. Convém, obviamente, que ele esteja bem inteirado de todos os pormenores.


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