O gigante com pés de barro

 


É muito simples a forma de eu ver a coisa.

Durante estes dois anos tentei personificar a GRANDE lacuna da ciência — a ausência de um observador do observador. Se preferirmos, um meta-observador.

Sem um controlo externo, sem os vários contrapontos, mercê de interesses financeiros encapotados, foi fácil empurrar irrevogavelmente a ciência para uma roda-viva imparável, para uma eterna espiral de autodestruição.

Quero com isto dizer que a verdadeira ciência — a que duvida sempre e fica feliz por ser desafiada —, agora, ao invés, apoiada em doxas e dogmas e sacrificada no altar macabro dos interesses corporativos, foi ferida de morte. O novo normal vestiu a máscara da falta de ética, da dilaceração da moral e do estrangulamento dos valores fundamentais e decidiu silenciar quem por fim mostrava a coragem para erguer uma voz contestatária.

Surgiu uma nova religião cuja divindade era a COISA.

Quem desafiava a COISA era um herege e merecia uma exemplar punição. Implementou-se um salvo-conduto — APENAS — para os que se sujeitavam ao “batismo” com uma zurrapa feita às três pancadas.

Além da censura e da ostracização, também tentaram a zombaria. Carinhosamente decidiram chamar a quem se insurgia contra esta vaga de injúrias e incongruências de “negacionista”, provavelmente, no seio de tanta ignorância, não se lembrando, porventura, que o tema não era desta época e fazia alusão, exclusivamente, aos que não acreditavam que o holocausto judeu tivesse ocorrido.

Há, porém, um paradoxo, uma contradição doentia, que parece passar despercebida aos que consciente ou inconscientemente se decidiram pela submissão ao infame líquido: — se há paralelismos aos tais tempos do holocausto, estes estão invariavelmente associados aos opressores [aqueles que agora se regozijam e entram em júbilo quando se impede alguém que não esteja “batizado” de entrar num hospital, restaurante ou até supermercado ou, pasme-se… vociferam imprecações].

Agora… convém relembrar que:

1 — Vão impedir a entrada nos hospitais TAMBÉM a quem sofre de diabetes ou de um problema cardiovascular? É que, afinal, eles também não foram “bons cidadãos” quando comeram uns doces e umas batatas fritas quando não o deviam ter feito, certo? Vão impedir o acesso à saúde a um doente com cancro de pulmão porque ele decidiu fumar durante anos a fio? Sejam coerentes, se faz favor…

2 — “Ah, os não ‘batizados’ estão a ‘roubar’ camas de hospitais aos ‘bons’ cidadãos…” Mas… e quando alguém tem uma pericardite, miocardite ou VITT induzida pela zurrapa? Se olharmos cuidadosamente para esta questão, quem teve o “azar” de padecer de uma complicação deste género, também está a roubar o lugar de outro contribuinte, pagante, que poderia vir a precisar daquela mesmíssima cama. Conseguem sentir a injustiça de quem usa levianamente este argumento falacioso? Não se esqueçam que o SNS é de todos, é público. Não se pode fazer discriminações, especialmente sob o pretexto de algo que, por enquanto, ainda é facultativo…

3 — Se o tal “batismo” é uma decisão pessoal, não obrigatória, qual a justificação para as restrições, como o certificado digital? Não devíamos considerar esses entraves uma forma descarada de coerção? Não está o acautelamento deste tipo de comportamentos consagrado no Código de Nuremberga desde meados do século XX?

4 — Se o TAL “batismo” tem os níveis de eficácia preconizados, porque têm tanto MEDO os “batizados” dos que não foram “batizados”? Em bom rigor, a ser verdade o que propagandeiam, só os não “batizados” deveriam temer a COISA. Porém, na realidade, se olharmos atentamente, verifica-se precisamente o oposto…

5 — Se vedarem o acesso dos não “batizados” às instituições públicas, como os hospitais, estarão o Estado e TODOS os contribuintes dispostos a devolver o somatório de todos os impostos, mais os devidos juros, de uma vida inteira de contribuições fiscais e sociais? É que tal comportamento altamente imoral e injusto faz-me lembrar uma rescisão unilateral de contrato laboral sem justa causa ou um divórcio litigioso e isso dá, por lei, direito a uma indeminização choruda.

6 — Se os “cientistas” que vos prometeram que iríamos atingir a TAL imunidade de grupo e que a famigerada zurrapa iria impedir a transmissão, por forma a que todas as restrições, como as máscaras sociais, fossem abolidas, falharam redondamente, porque haveriam de continuar a acreditar nos mesmos “cientistas” quando eles alegam que o “batismo” é absolutamente seguro e que não acarreta quaisquer problemas a médio e longo prazo? Estão dispostos a depositar a vossa saúde e a dos vossos filhos nos mesmos indivíduos que até agora erraram todas as previsões? Algum destes especialistas referiu alguma vez publicamente, sequer, o fenómeno da SUBNOTIFICAÇÃO?

7 — Se vão pedir o certificado para a COISA — exclusivamente — para entrar em instituições e estabelecimentos, porque não pedem também um certificado para a gripe, para a tuberculose, para a hepatite B, C, HIV e uma miríade de outras doenças infetocontagiosas? Porra… para os chatos, carrapatos e piolhos dos funcionários?

A minha sugestão é que se comece por procurar, ao invés, por cherry pickings, vieses e conflitos de interesses nas evidências que [ainda] servem de base para a justificação de medidas injustas, discriminatórias e disruptoras de uma vida democrática salutar.

Podem terem morrido milhares da COISA (o que é sempre altamente discutível, em virtude da manipulação dos números), mas certamente terão sido milhões os que ficaram mais empobrecidos, financeira e democraticamente.

As crianças, adolescentes e jovens ficaram irrevogavelmente formatados a nível mental e emocional e no futuro veremos demasiados distúrbios de personalidade e transtornos obsessivos-compulsivos. Sem falar dos suicídios decorrentes de profundas marcas infligidas pelas graves deficiências na socialização…

Só há uma forma verdadeiramente justa e correta de avaliar se as medidas tiveram o efeito desejado: a análise da taxa de mortalidade POR TODAS AS CAUSAS, em todas as faixas etárias.

A verdade é que os números dizem claramente que a mortalidade por todas as causas em idades produtivas tem vindo a aumentar desde 2020 (ao contrário do que seria expectável, especialmente em 2021 — ano da implementação do tal “batismo” redentor) (site oficial do Euromomo, www.euromomo.eu) e que entre os 10 e os 59 anos (idades de produtividade escolar e/ou profissional) a mortalidade por todas as causas das pessoas “batizadas” com a zurrapa foi quase o dobro da mortalidade das não “batizadas” (www.ons.gov.uk. Porém, deve-se fazer a análise sem ceder à tentação dos caprichosos cherry pickings).

Eu, pessoalmente, aguardo há semanas pelos prometidos estudos peer reviewed, sem vieses e, sobretudo, sem conflitos de interesses, que comprovem que a imunidade adquirida pela zurrapa seja claramente superior à naturalmente adquirida por recuperação da doença. É que esse conceito é “de livro” e foi pervertido durante estes últimos dois anos…

E, enquanto aguardo por quaisquer eventuais falaciosas evidências, vou observando famílias inteiras, numerosas, claramente com sobrepeso e até obesas, a encharcarem as mãos com desinfetante e a envergarem duas ou três máscaras sobrepostas, com os olhos esbugalhados postos nos pastéis, bolas de Berlim e refrigerantes espraiados nos balcões das pastelarias.

“Ai, temos de ter muito cuidado porque o ‘bicho’ anda por aí…”, diz a matriarca enquanto esfrega as mãos em camadas infinitas de álcool-gel.

Eu concordo com ela, mas sendo a obesidade uma das principais comorbilidades, sugeria que começassem por prestarem, em primeiríssimo lugar, atenção à alimentação e ao exercício físico. Cuidado também com os hábitos mentais e com a submissão ao MEDO e à autoridade, de acordo com os pressupostos de Milgram.

Depois de praticamente todos (batizados ou não) termos passado pela experiência não está na altura de olharmos para esta questão de um ângulo totalmente diferente?

SEM MEDO, não estará na altura de fazermos como o Reino Unido, a Suécia e a Noruega e decretarmos o fim da pandemia, sob pena de perdermos tudo o que granjeámos como humanidade?

Vitória da Luz,

Ricardo Novais

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