Closure

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Olá a todos,
Há dois anos, quando me pediram para desenhar um ciclo de 12 workshops / showcooking para uma famigerada escola de saúde natural no Porto, com o mote de culinária curativa, concebi 12 temas que habitualmente são importantes para a saúde de todos nós. Dependendo do tema, uns faziam mais ressonância comigo do que outros. Mas eis que chegámos ao fim do ciclo! Estamos no último! O ciclo vai finalmente fechar e… perdoem-me a sinceridade mas só consigo estar bem quando obtenho conclusão.
Então o tema que deixei para último é precisamente um dos meus favoritos: “Culinária para melhorar o desempenho mental e emocional”.
Em contexto de consulta de naturopatia, os problemas que mais gosto de ajudar a resolver são precisamente os do foro mental e emocional. Diariamente chegam-me insónias, ansiedades, depressões… Raramente são recentes... Temos o hábito de nos deixar chicotear emocionalmente com recorrência. Por vezes somos nós próprios a nos infligir dor emocional, por culpabilização desmesurada ou preocupação injustificada. Isso deixa-nos marcas profundas, cicatrizes. Por este motivo, os problemas enraizados são, efetivamente, difíceis de solucionar.
Antes de tudo, temos de sarar as “FERIDAS” antigas. Esta coisa de empurrar – push it forward – só dá mesmo para que quando atingimos o limite não tenhamos “forças” suficientes para resistir, emergindo o tão famigerado esgotamento.
Do cortisol à adrenalina, da serotonina ao GABA, passando pela dopamina, são inúmeros os mediadores químicos que necessitamos que estejam em equilíbrio no nosso corpo, para nos sentirmos tranquilos e FELIZES.
A psiconeuroimunologia, a homeopatia, a fitoterapia (aqui com um grande parêntesis porque, como vamos ver mais adiante, podemos incluí-la na culinária), o reiki, o shiatsu, a acupuntura, e muito mais, são alguns exemplos do manancial de ferramentas ao nosso dispor que podem facilitar a AUTOCURA, melhorando significativamente a saúde das pessoas que desejam efetivamente curar.
Mas, à parte das referidas técnicas, hoje preciso concentrar-me em como posso ajudar as pessoas a resistir melhor às agressões do dia-a-dia com o recurso APENAS à melhor farmácia que temos à disposição: - A cozinha!
Tenho de entregar até ao final do dia a lista de receitas que vou demonstrar. O curso dura 4 horas. Normalmente consigo encaixar 8 pratos contando já com o tempo da parada de perguntas e respostas que os participantes habitualmente colocam.
Então, vamos lá: - Quais são os nutrientes que nos ajudam a pensar, agir e VIVER com clarividência?
- Assim de repente, lembro-me: - aminoácido triptofano (está na base da serotonina), vitaminas do complexo B [para as emoções gosto particularmente da B6 (piridoxina), da B12 (cianocobalamina) e da B9 (ácido fólico)], a vitamina C, que é um excelente antioxidante, o magnésio e o fósforo são elementos muito importantes no desempenho cognitivo e os ácidos gordos polinsaturados, mais concretamente os ómega 3 – EPA e DHA. Este último é particularmente importante, se pensarmos que o DHA é o maior constituinte da porção fosfolipídica das células recetoras e está presente na retina, no cérebro humano e em variados tecidos corporais.
Além destes evidentes micronutrientes, se dermos um cheirinho de fitoterapia vamos buscar alguns adaptogénios interessantes, na forma de superalimentos, que podemos incluir na nossa dieta em alturas de maior stress: - a Maca, o Ashwagandha e o Brahmi (Bacopa) são apenas algumas alternativas para conseguirmos baixar os níveis de cortisol plasmático.
Mas não fiquemos só por aqui… A fitoterapia diz-nos que na Índia há uma incidência muito baixa de depressão. As pessoas lá, mesmo sendo pobres, são felizes (haverá exceções, evidentemente – detenho-me no quadro geral). Este fenómeno pode ser devido à sua gastronomia sui generis, com inúmeras especiarias. As especiarias são, norma geral, fantásticos antioxidantes. Dos cominhos ao cardamomo, da curcuma ao açafrão. Este último (os filamentos) convém não confundir com o mais usado açafrão-das-índias, conhecido também como turmérico ou curcuma. O açafrão é uma especiaria obtida a partir dos estigmas secos da flor do açafrão (Crocus sativus). Confere aos pratos um tom amarelo e um aroma almiscarado. É um antidepressivo moderado. Mas cuidado…! Devemos usá-lo com muita ponderação!
Navegando por outros continentes podemos ir buscar quantidades fabulosas de vitamina C, que ocorre naturalmente em frutos. Lembrei-me do açaí… Ótimo para fazer um smoothie antioxidante pela manhã. Também podemos ir buscar cacau cru para confecionar bombons de chocolate.
Voltando ao nosso continente não nos podemos esquecer das nozes e avelãs, da linhaça, e claro está, do nosso rico peixinho azul. A sardinha, a cavala e o carapau.
Então estou a pensar na seguinte sequência:
- Smoothie de frutos do bosque, uvas pretas e açaí; - Batido de avelã e maca; - Pão crudívoro de linhaça com pimento, cenoura, alho e cebola; - Tahini com endro e levedura de cerveja; - Pão de noz, sementes de girassol e pevides de abóbora; - Caril de peixe com banana e manga (com muitas especiarias, incluindo Crocus sativus); - Creme frio de gengibre; - Bombons de chocolate (cru, vegano) com nozes do brasil.

Depois digo-vos se correu bem!

Step out of the box!

Ricardo Novais

P.S. – Gosto particularmente do chá verde (matcha, etc). O chá verde (Camellia sinensis), não obstante a cafeína que nos pode trazer alguma excitação, contém não apenas EGC (epigalocatequina-3-galato), um fantástico antioxidante, mas também a L-teanina, aminoácido capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e obter melhores resultados que o próprio GABA. Este último vendido genericamente em dietéticas, para a acalmia de estados de ansiedade. Por este motivo o chá verde tem este efeito paradoxal – pode acalmar apesar do seu efeito marcadamente estimulante. Uma bebida excelente!

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