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A mostrar mensagens de Dezembro, 2020

Catarse

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  Na noite de Natal passada, os meus cães ficaram à beira de um ataque de nervos com a tresloucada parafernália fogueteira na atmosfera circundante. Hoje, véspera do Ano Novo, tudo me faz crer que a história se irá repetir, porém de uma forma ainda mais inflamada. Qual é a minha interpretação? Todos os seres vivos, quando restringidos, presos, amordaçados, amarrados, acorrentados, física, mental ou emocionalmente, sentem impreterivelmente a necessidade de se libertarem. Quem tem um cachorrinho pequeno percebe perfeitamente o que eu quero dizer: a pobre alma, normalmente habituada à liberdade total, ávida por conhecer o mundo, cheia de alegria de viver, a roer tudo o que encontra pela frente e a tentar ligar-se energeticamente a tudo que a cerca, jamais esperaria que fossem os adorados donos que a adotaram — os mesmos que lhe dão a comida e os miminhos —, os terríveis carcereiros que lhe vão restringir, por completo, a liberdade. O cãozinho, por norma, não compreende tal atitude e

Sono

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  A falta de sono na medicina tradicional chinesa é encarada como uma patologia realmente séria. E não é para menos: não dormindo o suficiente, o Qi (energia vital) defensivo (mais yang) não penetra no interior do corpo para regenerar o yin. Quando não dormimos adequadamente, o nosso “espírito” não ancora no corpo. Por esse motivo sofremos de sonhos vívidos ou até pesadelos. Muito resumidamente, o calor dos nossos pensamentos não desce para a zona abdominal, deixando a mente fresca e tranquila. Na medicina ocidental podemos traduzir a insónia como uma ansiedade exacerbada. É o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal a carburar ao máximo. Forma-se excesso de adrenalina e noradrenalina e acumula-se o cortisol no organismo. Habitualmente surgem cefaleias ou mesmo enxaquecas que só vão passar — verdadeiramente — quando voltarmos a dormir um sono reparador. Quando acordamos de noite, o coração fica acelerado, sentimos calor na cabeça e no peito e é frequente termos a boca seca. A tensão

Desintoxicação

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Somos invadidos diariamente por dezenas de publicações a preconizarem a desintoxicação do organismo — o detox . Mercê de tanta informação ficamos habitualmente tão desorientados que somos muitas vezes tentados a negligenciá-la, porque é, de facto, intrincado filtrar e assimilar conceitos não enraizados na nossa cultura. Porém, reconhecendo que a tecnologia evoluiu e que o ser humano evoluiu com ela, temos de concordar que os hábitos de higiene alimentar devam ser também eles revistos para acompanhar essa evolução. É fácil de entender: nós, os humanos de hoje, modernos, citadinos — urbanitas —, levantamo-nos de manhã, por recurso a um despertador, fruto da irremediável subordinação ao relógio e ao tempo, contrariando o ciclo natural da natureza e do nosso próprio ciclo interno. Tomamos o pequeno almoço e vamos trabalhar oito a dez horas, fazendo aquilo que gostamos — ou que nos forçamos a gostar — em ambientes de trabalho habitualmente repletos de tecnologia — computadores, comunicaçõ

O frasco de vidro

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Quantos de vocês, adultos, já tiveram que decidir, em cima do momento, de acordo com a vossa consciência? Já tive inúmeras profissões, já estudei milhentos assuntos. Contudo, há coisas que nem é preciso estudar… basta sentir, pressentir ou, muito simplesmente, intuir. Essa talvez tenha sido a aprendizagem mais difícil — para mim — de interiorizar, pois tive, para isso, de romper com uma vida inteira de estereótipos, condicionamentos e dogmas impostos pela religião, política, educação, ciência e sociedade em geral. O gut feeling … Se eu pudesse voltar atrás no tempo, diria ao Ricardo de há quinze anos que era melhor “escutar” SEMPRE o formigueiro incómodo que sentia na barriga antes de tomar qualquer decisão importante. Quando ouço referir a vacina para o COVID-19 vem-me de volta, impreterivelmente, aquela sensação desagradável no fundo da barriga. E, muito provavelmente, também vos deve afligir a vós, inclusive aos mais acérrimos covideiros  [1] . Só que atordoados com a pres

Boa onda

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Radiações eletromagnéticas   Desde o início dos tempos que o planeta é bombardeado por raios celestes. Os próprios fotões que nos chegam a partir do sol não são mais do que meras projeções eletromagnéticas. O homem, agarrado à convicção de que nada de grave ocorreria se sobrecarregasse o pandemónio de frequências que cruza incessantemente o ar, decidiu acercar-se de uma multitude de ondas de rádio e de televisão, de fornos de micro-ondas, de fogões de indução, de telemóveis, de wifis e de várias gerações de antenas de informação digital móvel. A verdade é que atualmente, mesmo que quiséssemos, não temos como fugir à radiação eletromagnética porque, mercê da miríade de satélites que orbitam os céus da Terra a centenas de quilómetros de altitude, estamos ininterruptamente expostos a ela. É evidente que o nível de interferência é, contudo, muito mais agressivo nos meios urbanos, onde proliferam as torres 4 e 5G. À partida, seria pacífico admitir que, neste ponto da evolução, na

A última fronteira

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  Barreira hematoencefálica   Se considerarmos o cérebro como o nosso bem mais precioso, vamos desejar que ele, acima de todos os outros órgãos, esteja invariável e permanente protegido de todo o tipo de agressões. No final do século XIX, ao injetarem corantes histológicos na corrente sanguínea de vários animais de laboratório, verificaram que todos os órgãos ficavam corados de azul, exceto o cérebro e a espinal-medula. Para explicar a dificuldade em tingir o cérebro foi postulada a existência de uma barreira hematoencefálica. Em que consiste então tal barreira? A barreira hematoencefálica é uma fronteira altamente seletiva de células endoteliais do cérebro que previne que compostos do sangue circulante entrem de uma forma não seletiva para o fluído extracelular do sistema nervoso central, onde residem os neurónios. Estas células da parede capilar, das terminações dos astrócitos e dos pericitos formam um aglomerado que filtra seletivamente o sangue e permite somente a passage

Alopatia

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Alopatia Define-se como a medicina que tem por base o recurso aos medicamentos químicos e de síntese. Com pouco mais de uma centena de anos, é também denominada de tradicional ou convencional. É a norma nos países ocidentais. Os medicamentos alopáticos, quando biodisponíveis, na sua forma ativa, atuam em locais específicos, normalmente recetores celulares ou enzimáticos, interferindo nas vias de funcionamento fisiológicas. São fantásticos para tratar paliativamente os desequilíbrios orgânicos. Entretanto, a mesma molécula, quimicamente sintetizada, mercê da falta de seletividade, atua igualmente em centenas ou até milhares de outros recetores, com estrutura molecular análoga, em maior e menor grau, produzindo reações não desejadas primariamente — são os efeitos secundários. Para que um medicamento seja “libertado” para o mercado é imperativo que sejam realizados milhares de ensaios clínicos para convencer as entidades reguladoras de que, além da sua eficácia, os efeitos secundários

A Montanha pariu um Rato

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Negligência   Tenho um vizinho com quem partilho uma entrada de garagem comum. Há alguns anos, quando os meus filhos eram pequenos, apercebi-me de que ele estava a ter uma infestação de ratos na garagem. Algo perfeitamente comum, visto morarmos numa região semirrural. Os ratos, sempre nos foi dito desde crianças, são vetores de doenças. Imbuído neste sentimento, munido de uma crença bem enraizada, o meu vizinho adquiriu veneno na drogaria e começou a espalhá-lo na garagem dele. Até aqui tudo bem, porque a garagem é sua propriedade, não atropelando o livre-arbítrio de ninguém. Estranhei um pouco o procedimento porque ele tinha uma criança pequena. Contudo, considerei que, dentro de sua casa, ele podia fazer o que bem entendesse e eu não tinha qualquer direito de interferir. Semanas depois, estavam os meus filhos a brincar na área comum quando, para meu espanto, vejo o mais pequeno, com dois anos, a pegar numa espécie de papel de rebuçado com o que parecia ser um rebuçado vermelho, apela

Ataques energéticos

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  Quando pensamos em termos de energia, estamos convictos de que a melhor forma de prevenirmos o ataque de frequências mais densas é manter a nossa vibração pessoal o mais elevada possível. Nada poderia estar mais correto. Porém, existe uma situação recorrente. O mundo moderno é muito diferente do mundo de há um século. Hoje as pessoas perderam o contacto com o natural, estão isoladas da natureza e da comunhão saudável com as outras pessoas e com os animais. Sabemos que uma das melhores técnicas para aliviarmos o stress e soltarmos energias negativas é o enraizamento — o grounding . Pode ser algo tão simples como caminhar descalço na relva ou junto a um riacho ou à beira-mar. No passado, as pessoas usavam, para dormir, colchões com palha e tecidos com fibras naturais como a lã, o linho ou o algodão, e usavam calçado de sola, bastante condutor. Andava-se mais a pé e menos de transportes, como o automóvel. O automóvel é eletricamente bem isolado e impede o contacto dos humanos com o

Quando ao querermos ajudar, magoamos...

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  É evidente nos dias de hoje uma profunda fissão na sociedade. De um lado, pessoas reais, que preferem viver numa bolha assética, afastadas da Natureza, ressabiadas e germofóbicas. Infelizmente a grossa maioria. Do outro, pessoas informadas, estudiosas ou simplesmente intuitivas, que perceberam que a humanidade adora atirar o lixo para debaixo do tapete, não resolvendo nada de facto. Bem pelo contrário, destrói tudo o que consegue encontrar pela frente. A fação cética/assética baseia a sua argumentação em estudos de referência, meta-análises, inclusive. Contudo, a verdadeira questão que se levanta é: se a medicina baseada na síntese química é assim tão boa, porque é que os resultados (as verdadeiras evidências) são assim tão maus? A obesidade infantil aumentou de uma forma desmesurada, surgindo em idades cada vez mais precoces, promovendo a Low Grade Inflammation . A inflamação, por conseguinte, é um dos terrenos mais favoráveis ao surgimento de doenças mais agressivas e enfraquece o