Doenças autoimunes, uma perspectiva diferente...

E se…?



E se um problema autoimune não fosse realmente autoimune…?
E se, na origem, o problema fosse simplesmente IMUNE…?
É tão bom não ter de sair da zona de conforto…
Quando não se sabe ao certo o que está na etiologia de um desarranjo invoca-se imediatamente os termos “virose” ou “autoimune”. Ouve-se estas palavras recorrentemente nas unidades de saúde familiar e nos corredores dos hospitais.
Pois… Protocolos…
Estão catalogados como autoimunes variados estados patológicos como a tiroidite de Hashimoto, a doença de Crohn, o Lúpus eritematoso sistémico, a Artrite reumatoide, a Espondilite anquilosante… Muitos mais poderiam ser inumerados…
Desculpem o meu facciosismo mas vou deter-me, neste artigo, na Espondilite anquilosante (EA). Não obstante, genericamente, o que vou dizer aplica-se transversalmente a todas as patologias “autoimunes”.
Se vasculharmos o site da PUBMED pesquisando por Espondilite Anquilosante (Ankylosing spondylitis), vamos encontrar 16.427 estudos publicados. Se refinarmos a pesquisa a Espondilite anquilosante + Klebsiella vamos encontrar 239.
Detendo-me nos 239 resultados, num varrimento rápido das publicações, constatamos que existem dois grandes grupos a estudar uma via alternativa (complementar) de tratar os doentes sofrendo desta patologia autoimune: - o grupo liderado por Ebringer A. et al., do King’s College, Londres e o grupo de Mäki-Ikola O. et al., National Public Health Institute, Departamento de Turku, Finlândia.

Bom, para o leitor comum esta pesquisa parece aborrecida…

Mas de facto o que ela traduz é uma grande luz ao fim do túnel para quem padece de patologias “autoimunes”.

Passo a explicar (em termos mais simples):

A EA é uma doença inflamatória da coluna vertebral. Tem início na zona lombar/sacroilíaca.
Por proximidade anatómica encontramos o mesentério e adjacentes gânglios linfáticos. Se sofrermos uma alergia / infeção intestinal é precisamente nessa zona que se vão acumular mediadores da inflamação e anticorpos.

Estão a ver a relação de causalidade? Ainda não?

Então imaginemos que a nossa flora intestinal, num ponto qualquer temporal, sofreu uma revolução (dietas erróneas, antibióticos, infeção, etc) e, no resultado dessa dura batalha, ganharam as enterobacteriaceae, (donde destaco a Klebsiella pneumoniae) que se multiplicaram desmesuradamente, colonizando os intestinos.
Ao ver este comportamento de ataque massivo de Klebsiella (mesmo que eventualmente considerada de flora comensal), o nosso organismo chama aos intestinos o sistema imunológico em peso. No processo segregam-se sobretudo imonoglobulinas IgA (mas também IgM, IgG e IgE) contra os péptidos e outros constituintes estruturais da Klebsiella.
Ora, o que vai complicar este enredo é que estas IgA vão reconhecer/atacar a Klebsiella mas também vão atacar alguns antigénios presentes no nosso organismo, estruturalmente semelhantes à Klebsiella – os HLAB27. Vão andar a circular no soro e em último reduto, dirigir-se, de um modo muito peculiar, para as articulações da coluna vertebral.
Podemos falar então de um fenómeno de mimetismo imunológico?
- Efetivamente, comprovando esta teoria, vários estudos demonstraram anticorpos anti-Klebsiella nas articulações da coluna vertebral dos doentes com EA. Outros estudos demonstraram uma quantidade anormalmente superior de Klebsiella pneumoniae nas fezes de indivíduos padecendo de EA, comparativamente a indivíduos sãos.

A reumatologia convencional dá-nos AINE’S, corticoesteróides/imunomoduladores (para baixar a resposta imunológica do organismo, deixando-nos mais suscetíveis a outras infeções) e medicamentos como a sulfassalazina (uma espécie de mistura de antibiótico com anti-inflamatório). Este último já parece mais interessante e começa a dar a entender que a origem do problema possa estar numa infeção por bactérias. No entanto, existe uma “pequena” coisa chamada efeitos secundários…

Como tratar então estes problemas de uma forma mais natural?

- Bom… Como terapeuta naturopático, recomendaria sempre primeiro limpar o “terreno”. Fazer uma desintoxicação dos órgãos emunctórios durante um mês - os intestinos, o fígado, o sistema linfático, os rins. Dependendo do caso, um enema ou até um hidrocólon poderia ser ponderado.
- Depois procuraria focalizar-me na dieta - Existem muitas associações atentas a esta via alternativa de tratar a EA, preconizando uma dieta sem amido e outros açúcares. Recomendo uma visita a:  http://www.kickas.org/londondiet.shtml.
É duro, podemos até chorar por ter de largar coisas que nunca imaginaríamos que nos faziam mal…
Mas é fácil de entender - ao removermos o amido, que é o alimento preferencial da Klebsiella, ela vai morrer à fome. (Vou refrear-me e não vou abordar os lácteos, o glúten, os anti-nutrientes das leguminosas, entre outros alérgenos alimentares…)
- Simultaneamente Iria sugerir fazer um “antibiótico” fitoterápico durante 10 dias. (Não vou enunciar nenhum aqui porque a maioria carece de supervisão, pois apresentam diferentes níveis de toxicidade. Ou seja, não os devemos tomar levianamente)
- Independentemente de fazer este último passo ou não, existe inexoravelmente um comprometimento da permeabilidade do trato digestivo (leaky gut) que é imperativo sanar (mesmo que os doentes não descrevam qualquer sintomatologia intestinal). Para isso recomendaria dois anti-inflamatórios naturais com tropismo para o intestino: - a curcuma e o gengibre (sempre de grado biológico).
- Simultaneamente, aconselharia doses interessantes de ómega 3 – DHA (de peixe, sem toxinas) e do aminoácido L-glutamina. Este último, sendo o alimento preferencial das células de alto turnover, ajuda a cicatrizar a mucosa intestinal - ótimo para o Síndrome de cólon irritável ou para a doença de Crohn.
- Por fim, talvez o mais importante, iria sugerir “desalojar” a nossa inimiga Klebsiella por recurso a probióticos e/ou prébióticos.
Como uma carraça, a Klebsiella não vai desprender-se assim tão facilmente sem dar luta, sem resistência… Por conseguinte, este tipo de tratamento é longo e podemos ter de fazê-lo várias vezes pela vida fora.
Mas certamente concordam que é sempre melhor optar por uma via natural, sem os efeitos secundários da medicação alopática?

Os meus filhos, a minha família, os meus amigos e os meus clientes que me conhecem, sabem que sou muito chato, sempre a perguntar como estão a funcionar os intestinos e como saem as fezes.
Como já entenderam, às vezes olhar para a sanita e analisar o que de nós sai é mesmo importante! Pode dar-nos indicações preciosas do estado geral do organismo.

É (mesmo) um problema de “merda”…

Step out of the box!

Ricardo Novais


P.S. – Desculpem-me o uso abusivo das reticências…!

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