Os meus tesourinhos perdidos no baú...

Fui ao meu baú e encontrei isto:



Os meus tesourinhos perdidos no baú...

“Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida”, Lao-Tsé

Durante anos assumi que ter um restaurante e servir refeições saudáveis, 100% biológicas, era a forma ideal de ajudar a comunidade a melhorar o seu estado de saúde.

Não podia estar mais errado!

Se a comida era o mais saudável possível? Se as pessoas comiam a comida que confecionava, estava eu a ajudá-las?

- Sim, estava! Mas isso não era o suficiente! Era preciso alertá-las!

Alertá-las de quê?

De que não há verdades insofismáveis! De que não existe a “alimentação saudável”! Existe, isso sim, UMA alimentação saudável para cada indivíduo! Ela está intrinsecamente relacionada com fatores genéticos, epigenéticos, culturais, sociais e emocionais! A alimentação, em instância última, deve ser o mais intuitiva possível!

Além disso… De pouco adianta comermos bem se o nosso meio psico-social está contaminado…
Nenhum agricultor começa a plantar a sua horta antes de limpar o terreno.
Também nós temos de limpar o nosso “terreno” se queremos fazer alterações positivas na nossa forma de nos alimentar.
Isto é particularmente aplicável àquelas pessoas que, de um momento para o outro, decidem mudar radicalmente a sua dieta. Sem estudo, sem acompanhamento, sem sentido crítico...

É hoje mundialmente falado que os intestinos são o “segundo cérebro”. Fala-se figurativamente mas, se somarmos todos os gânglios nervosos que irrigam o sistema digestivo, todos juntos, obtemos uma bola de tamanho aproximado ao cérebro de um pequeno gato. Mais, do universo de conexões nervosas no eixo cérebro-intestinos, 90% são no sentido ascendente… Razão para perguntar: - Afinal quem controla quem?

Quando os nossos intestinos não estão bem surgem os mais variados problemas de saúde. Todos relacionados com um grave a moderado comprometimento do sistema imunológico com envolvimento de mediadores inflamatórios. Tudo devido a uma alteração de permeabilidade intestinal. Ou seja, estamos praticamente todos num estado de Inflamação latente [Low Grade Inflamation] que a curto, a médio ou a longo prazo vão tornar definitivas as patologias crónicas que todos vamos sofrendo.
Mas atenção! Muitos dirão: - Mas os meus intestinos funcionam que nem um relógio…
Pois bem! A maior parte das vezes a inflamação intestinal é subclínica, não produzindo sintomas percetíveis.

Olham-se para as pessoas e repara-se que não estão gordas... estão inflamadas!

Fico muito feliz quando consigo transmitir dois alertas com sucesso:

1º - Numa sociedade tão "avançada" como a nossa, onde nem sequer fazemos ideia como os alimentos chegam à nossa mesa, quando nos estamos a dirigir para a caixa do hipermercado, recomendo olhar novamente para o nosso carrinho de compras. Se estiver cheio de latas, pacotes de plástico e embalagens, sugiro RESPIRAR fundo e ponderar trocar tudo por frutas e legumes frescos. Fico mesmo assustado quando olho para os carrinhos de compra das outras pessoas e vejo que por, sei lá... falta de tempo, as pessoas abdicaram de um processo bonito, especial e determinante para a saúde da vida familiar - o ato de COZINHAR. Trocaram isso pelo já preparado...

Não se deixem iludir! Está tudo muito bem estudado pelas artes do marketing psicológico para nos levar a consumir por impulso, compulsivamente... Só para vos dar um exemplo: - As chicletes e chupas nas prateleiras junto às caixas. Têm uma imagem apelativa e colorida e, quando estamos à espera (aborrecidos) nas filas, apela ao nosso consumismo desenfreado - especialmente o das crianças, levando-nos à compra por impulso.

Outro exemplo: - Na bancada do peixe, com muita frequência, podem reparar que existem vários sacos de mexilhões. Eles próprios, do ponto de vista comercial, não têm praticamente interesse económico para lá estarem colocados em destaque. Só que, estudos comprovaram que nós, consumidores distraídos pela azáfama e bulício do mundo contemporâneo, ao sentir o aroma dos moluscos (que por acaso é bem forte, a maresía), estrategicamente ventilado, vamos ser "transportados" mentalmente e emocionalmente às nossas origens marítimas e induzidos, ardilosamente, a comprar compulsivamente o peixe que está na bancada.

2º - Hoje em dia somos "levados" literalmente a comprar preparados alimentares que nada têm com a sua matéria-prima original na NATUREZA. 
Por este motivo, a mensagem mais importante que gostaria que retivessem é a de que, se hoje temos motivos para nos preocupar com o aumento exponencial de patologias severas, é porque DECIDIMOS não nos preocupar como os alimentos são preparados. É PRECISO OLHAR PARA OS RÓTULOS! Um simples pão, que deveria ser apenas farinha, água, sal e levedura consegue ter uma lista com 15 ou mais ingredientes. Muitos dos quais excipientes químicos.

Step out of the box!

Ricardo Novais

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