A pressão dos pares

A pressão dos pares...

Só quem tem filhos é que sabe…

À noite, depois das aulas, abrimos a lancheira dos nossos filhos e reparamos que o lanche, que preparámos bem cedinho de manhã, ainda está intacto...

É claro! Não colocámos lá nenhum bollycao ou kinder surpresa. Colocámos, em alternativa, uma panqueca de espelta com compota biológica, fruta laminada.

Quando falo com eles com mais pormenor, fico a saber que acabaram por pedir um pão à funcionária, foram comer um croissant ao bar da escola ou petiscaram um pedaço de bollycao do coleguinha.

Pois… A pressão dos pares…

O que eu compreendo é que são habitualmente zombados por fugirem à regra. Acabam por ter vergonha de abrir a lancheira à frente dos colegas. Por serem diferentes. Porque a norma [por enquanto] são os alimentos processados, açucarados e repletos de gorduras hidrogenadas e aditivos alimentares.
Uma mistura explosiva de marketing televisivo e comercial e facilitismo parental…

No entanto, posso seguramente afirmar que os meus filhos, mercê da culinária que pratico, têm, ainda assim, uma alimentação diferenciada.
Sub-repticiamente, procuro constantemente ajustar os desequilíbrios resultantes dos excessos das férias, dos docinhos dos avós, dos bolicaos dos colegas, das festinhas dos amigos.
Às vezes gostam. Às vezes também não…
Quando me dizem que não gostam eu não desisto… Passados alguns dias volto “à carga”.
Costumo dizer-lhes que só passadas 10 tentativas é que podem dizer efetivamente que não gostam de determinada comida.
Normalmente, no fim, acabam sempre por aceitar bem os novos alimentos e as formas alternativas de os confecionar. Ao ponto de me perguntarem às vezes [por exemplo]: - “ Pai, quando voltas a fazer a curgete e beringela na chapa outra vez?”.

A mesma coisa costumo dizer também aos meus clientes - só passadas 10 vezes é que podem seguramente afirmar que não gostam de algo… Quando é necessário fazer alterações positivas na nossa dieta é fundamental sermos persistentes, resilientes e não desistir sempre que uma comida não tem aquele gostinho peculiar a que estamos habituados tradicionalmente.

Temos de dar a chance clara para reverter os velhos hábitos.

Porque, afinal… O homem é um animal de vícios…

Uma daquelas coisas que os meus filhos adoram e me pedem SEMPRE que têm um dia de folga é o sumo verde detox.

Não tem nada que saber…

É rápido de fazer e é uma ótima maneira de começar o dia.

Por hábito temos sempre os ingredientes em casa – Afinal é só preciso limão, maçã, gengibre e folha verde (pode ser couve, bróculo, hortelã-pimenta, salsa ou coentros). Aconselho, no entanto, a usar a folha verde o mais fresquinha possível. As minhas, vou cortá-las à minha horta, uns minutinhos antes de preparar o sumo.
A receita é a seguinte:

Sumo verde detox

Ingredientes:
  • 6 maçãs lavadas com casca e sem pevides (só cortar na hora)
  • 1 limão (em rodelas com casca)
  • 1 dedo de gengibre
  • 1 raminho de salsa (erva de trigo, coentros, hortelã-pimenta, couve, bróculo)


Preparação:
  • Coloque os ingredientes no espremedor lento e reserve o sumo.
  • Em alternativa, coloque todos os ingredientes num robot de cozinha e passe gradualmente de uma velocidade mais lenta para uma velocidade mais rápida até obter uma papa.
  • Passe o sumo pelo nutmilk bag.
  • Sirva o sumo e beba de imediato.


Podem acompanhar os passos essenciais da receita no pequeno tutorial em vídeo que coloquei no início deste post…

Quais as vantagens?

É um sumo desintoxicante, por conseguinte, devemos tomá-lo em jejum, 20 minutinhos antes do pequeno-almoço.
Porque colocamos lá o limão com casca [portanto, com o óleo essencial], o sumo é altamente alcalinizante.
O limão, além da alcalinidade, apresenta igualmente propriedades diuréticas e antissépticas e é uma fonte de vitamina C.
A folha verde tem clorofila. A clorofila é estruturalmente semelhante à hemoglobina. Só que em vez de ferro no seu centro, tem lá o magnésio. É fácil de entender, por conseguinte, a sua função anti-anémica, indutora da produção de sangue. A folha verde, além do magnésio, tem também ferro, cálcio, zinco e outros minerais essenciais. É igualmente muito desintoxicante porque auxilia na drenagem dos emunctórios. Mais particularmente na depuração hepática.
O gengibre é um excelente anti-inflamatório, antioxidante e ajuda no vómito, prisão de ventre e indigestão. É também um poderoso anti-helmíntico.
A maçã fornece a fibra curta, o hidrato de carbono e a pectina. Ajuda na drenagem intestinal.

Mal o provamos, adoramos… É saborosíssimo!


Step out of the box,

Ricardo Novais



P.S. – Isto da alcalinidade é muito fácil de entender: - O nosso organismo tem um pH estanque. O pH do nosso sangue é 7,36 e nunca se altera. Imaginemos que, por desequilíbrios severos nos órgãos (pulmões, rins), o sangue fica ligeiramente ácido – a condição pode ser potencialmente fatal. Não é o que acontece diariamente às pessoas… O que ocorre a toda a hora é que quando consumimos muitos alimentos “ácidos”: -açúcar refinado, refrigerantes, charcutarias, bolos, carnes vermelhas, o nosso organismo faz uso dos seus sistemas-tampão e “neutraliza” o excesso de acidez – So far, so good… Só que para neutralizar a acidez (celular) vai ter de sacrificar os minerais do nosso corpo, p.e.: - o cálcio dos nossos ossos. Então NÃO devemos dizer que o nosso corpo está ácido. Está APENAS [e somente] desmineralizado…

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