O estudo do ser

O estudo do ser


É utópico almejarmos saber qual o nosso destino ou mesmo qual o sentido da vida.

Não obstante, lá caminhamos nós a passos largos invariavelmente e inevitavelmente para o término da nossa existência material, sem o mínimo esforço para entender qual a nossa verdadeira missão nesta nossa breve passagem no planeta.

Podia simplesmente considerar que historicamente esse ruído de fundo de cariz filosófico não nos é peculiar, como lusitanos.

Ademais, hoje, a palavra de ordem é “CRESCIMENTO” – Não podemos deixar que os bichos papões do FMI e do Banco Central Europeu pensem que somos os “piores alunos da turma”. Então, muito displicentemente, tivemos e temos o desplante de permitir o despedimento de excesso [dizem eles] de contingente laboral, exportar mão-de-obra low-cost e especializada para países chauvinistas e xenófobos, desalojar famílias e, espante-se, sugar até ao tutano o seu poder de compra.

Todo o resto ficou esquecido!

Para a maioria dos que ficaram o essencial era não perder o seu castelinho, por mais miserável que fosse: “Não podemos sair da nossa zona de conforto!”.

Num mundo material, como é o de hoje, o baluarte único para a maioria da população, desde o início da “crise”, sempre foi o de não perder o status quo. Mas… Não se iludam… Numa breve comparação aritmética a nível de economia familiar, com o âmago da “poderosa” Europa de centro-norte, podemos facilmente constatar que a grossa maioria dos portugueses sofreu e continua a sofrer os erros de uma administração danosa, negligente e de má-fé e, por mais que se queira, não se pode comparar a condição dos portugueses - a roçar o sub-humana - aos misters ou monsieurs da Europa.

Resultado: - As famílias desagregam-se – Quem nunca ouviu: “Em casa onde não há pão todos gritam e ninguém tem razão”. O patronato abusa. O proletariado abaixa a cabeça.

As pessoas estão gordas também. Claro! É evidente! Basta ir a uma unidade de uma cadeia nacional ou estrangeira de hipermercados e verificar o carrinho de compras: - Produtos processados altamente pró-inflamatórios de marca branca, de qualidade questionável, que o nosso organismo tem dificuldade em reconhecer como ALIMENTO: - Colas e outros refrigerantes, cervejas minis, batatas fritas, pães artificialmente carregados de glúten e outros aditivos, pães tipo bollycaos, massas, óleos altamente refinados, margarinas, bolachas, biscoitos, iogurtes sem probióticos, leites superultrapasteurizados.

“São mais baratos!” – dizem.

No topo da cadeia de prioridades de consumo está a comida, logo depois a saúde.

Ao contemplarmos passivamente esta disfuncional atitude nacional perante a prioridade número um, era apenas lógico que a número dois iria ficar irremediavelmente avariada de morte.

Depois há esta pequena discussãozinha em relação à pressão que se coloca às crianças:
- O João e a Maria têm de fazer uma incomensurável quantidade de trabalhos para casa (TPC) para consolidar a aprendizagem do dia curricular.

Os pais, por vezes mais ávidos que os próprios professores, aceitam com cumplicidade, esta carga hercúlea para os mais pequenitos por variadíssimas razões:

- Por incapacidade cultural, intelectual, interrelacional e profissional, muitos paizinhos PROJETAM na sua prole demasiadas expetativas de uma vida melhor, germinadas ao longo de uma vida no seu próprio caldinho de frustrações pessoais. Temos de aceitar que NÓS somos o fruto das nossas próprias decisões! Se, por medo, decidimos em determinada altura que era preferível não sairmos da nossa zona de conforto, não sobrecarreguem a posteriori os nossos filhos de intenções materialistas e competitivas. Deixem-nos seguir a própria vida! Deixem-nos SENTIR e saborear o que a vida tem para oferecer… SEM PRESSÕES!

– Porque, mais uma vez, estamos convencidos que, por estarmos a subir no ranking da OCDE a nível do ensino, estamos na senda correta e temos de manter o pé no acelerador, dizimando por completo a melhor época da vida – aquela em que o pequeno ser humano não deveria sofrer qualquer tipo de pressão ou responsabilidade típica dos adultos inadaptados a SENTIR a vida – a infância!

DEIXEM AS CRIANÇAS SEREM CRIANÇAS!

Quantos pais conseguem sentir a felicidade genuína dos seus filhos?

Afinal, não é este mesmo o sentido da vida?


- Sermos felizes...

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