Adaptogénios
Adaptogénios
Temos o hábito de nos deixar chicotear emocionalmente com recorrência. Por vezes somos nós próprios a nos infligir essa dor emocional, por autoculpabilização desmesurada ou por preocupação injustificada. Paulatinamente, esse comportamento vai-nos deixando marcas profundas, cicatrizes, e os problemas desta forma enraizados são, por sua vez, ainda mais difíceis de debelar. Afinal, esta coisa do empurrar — push it forward — conduz-nos invariavelmente ao limite, sem forças para resistir, fazendo-nos mergulhar no tão famigerado esgotamento ou burn-out.
Do cortisol à adrenalina, da serotonina ao GABA, passando
pela dopamina, endorfinas e oxitocina, são inúmeras as hormonas e mediadores
químicos que necessitamos que estejam em equilíbrio no nosso corpo, para nos
sentirmos tranquilos e felizes.
É sabido que a melhor forma de granjearmos esse equilíbrio é
por métodos energéticos, sem o envolvimento de qualquer tipo de medicação e/ou
suplementação, e que promovam a alteração/aceitação/compreensão do nosso padrão
mental. A meditação é uma das ferramentas mais determinantes neste domínio, mas
poderíamos invocar também o ioga, o Chi kung, o Reiki, o Tai
chi, a acupuntura, entre tantos outros.
Porém, num mundo moderno, é comum as pessoas revelarem
dificuldade em se adaptar a um estilo de vida mais saudável, sobretudo a nível
mental/emocional. O paradigma instituído — vulgo medicina alopática — compreende
a resolução paliativa dos sintomas: ansiolíticos para a ansiedade e antidepressivos
para os défices de serotonina. A medicação química acarreta, todavia, vários tipos
de problemas: a tolerância, que obriga a que doses cada vez maiores
sejam administradas para obter o mesmo efeito, e o efeito ricochete, que
é o responsável pela exacerbação dos sintomas quando o medicamento é
subitamente retirado. Estas duas condições obrigam a que os clínicos tenham de
efetuar uma vigilância muito apertada e, quando desejam suspender o tratamento,
um desmame controlado, pois as pessoas sujeitas a este tipo de medicação
tornam-se extremamente dependentes dos químicos.
Porém, as terapêuticas não convencionais, como a fitoterapia
e a naturopatia, em casos de stresse ou ansiedade crónica, fazem-se valer de
uma ferramenta única, que só se encontra disponível no reino vegetal: os adaptogénios.
Os adaptogénios são substâncias que conseguem modular o organismo, estimulando
o sistema imunológico e revigorando a parte física e mental, ao invés de uma
simples ação farmacológica focalizada, do estilo fármaco-recetor. Também não apresentam
os habituais inconvenientes do efeito ricochete e são por norma bem tolerados, sem
os efeitos secundários da medicação alopática. Como a própria palavra indica, têm
a capacidade de conferir uma adaptação do organismo ao stresse.
O mais conhecido será, porventura, o ginseng (Panax
ginseng). No entanto, o ginseng, graças aos gingenósidos (açúcares saponósidos),
além das propriedades revitalizadoras, se não for extraído de uma raiz envelhecida,
apresenta amiúde a contraindicação de sobre-estimular, conduzindo a nervosismo,
insónias, taquicardia e aumento da tensão arterial. Os mais seguros e usados
para ajudar a tratar a ansiedade crónica serão a rhodiola rosea, o eleuterococo,
a erva-moura-sonífera (ashwaganda) e a bacopa (brahmi).
Quem padece de condições crónicas, sejam elas de que
natureza forem, deve sempre considerar a suplementação com adaptogénios para suporte
e endurance. As melhorias serão certamente notórias.
Step out of the box,
Ricardo Novais
Photo by Anthony Tran on Unsplash
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